Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, Sesa celebra contínua baixa em incidência no Estado

29/01/2026 15h27 - Atualizado em 03/02/2026 17h31

Na Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece de 1º a 07 de fevereiro, a Secretaria de Saúde (Sesa) lembra que em mais um ano consecutivo o Espírito Santo alcança a importante marca para a saúde pública capixaba: a redução no número de casos de gravidez na adolescência. Em 2025, foram 4.650 partos de nascidos vivos de mães com idades entre 10 e 19 anos, uma redução de 10,8%, quando comparados ao ano de 2024, que registrou de 5.213 partos. Os dados são do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

O Estado, tem trabalhado em ações que envolvem a Secretaria da Saúde (Sesa), com a Atenção Primária (APS) nos municípios, com resultados positivos mantendo a redução contínua dos casos de gestação em adolescentes, demonstrando avanços no enfrentamento dessa questão com o objetivo de sensibilizar e informar a sociedade sobre a importância da prevenção da gravidez precoce em adolescentes. Apesar disso, o fato ainda requer atenção, especialmente em regiões mais vulneráveis, onde os desafios são maiores.

Para o médico ginecologista e referência técnica da Saúde da Mulher na ‘Rede Alyne’ da Sesa, Eduardo Pereira Soares, a gravidez na adolescência representa um desafio relevante para a saúde pública, por ocorrer em uma etapa da vida marcada por intensas mudanças físicas, emocionais e sociais, essa condição exige atenção especial dos serviços de saúde e das políticas públicas.

“A prevenção é fundamental e passa, sobretudo, pelo acesso à informação e ao cuidado. É importante que haja o debate contínuo sobre sexualidade, sexo seguro e métodos contraceptivos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), aliado ao envolvimento das famílias e à realização de encontros coletivos, fortalece a autonomia das adolescentes e reduz riscos. Já nos casos em que a gestação ocorre, o acolhimento adequado é essencial, com captação precoce no pré-natal, estímulo à adesão ao acompanhamento e garantia de assistência qualificada ao parto e ao nascimento da criança”, ressalta o médico ginecologista Eduardo.

Sob a perspectiva clínica, o fato de o corpo da adolescente ainda estar em desenvolvimento aumenta a probabilidade de intercorrências durante a gestação e o parto. Entre os principais riscos estão anemia, infecções, hipertensão gestacional, parto prematuro e recém-nascidos com baixo peso. Soma-se a isso a dificuldade de adesão ao pré-natal, que muitas vezes é iniciado de forma tardia ou irregular, comprometendo o acompanhamento adequado da gravidez.

Além dos impactos biológicos, a gestação precoce provoca efeitos significativos no âmbito social e emocional. A interrupção dos estudos, a redução de perspectivas profissionais e a dependência econômica são consequências frequentes, que contribuem para a manutenção de situações de vulnerabilidade social. Esses fatores também repercutem na sociedade, ampliando a demanda por serviços de saúde, assistência social e educação.

As repercussões alcançam ainda a vida da criança, que pode enfrentar maiores riscos à saúde nos primeiros anos, bem como dificuldades no desenvolvimento emocional e social, especialmente quando a mãe não conta com uma rede de apoio estruturada.

“Diante desse cenário, o enfrentamento da gravidez na adolescência passa pela adoção de estratégias preventivas, como a educação sexual com base em informação de qualidade, a ampliação do acesso a métodos contraceptivos e o acolhimento dos adolescentes nos serviços de saúde. Essas ações são fundamentais para promover cuidado, orientação e proteção, contribuindo para um futuro mais saudável para mães, filhos e para a sociedade como um todo”, discursa o médico.

A ampliação do acesso à informação e à orientação voltada ao público jovem conta também com o apoio do Programa Saúde na Escola (PSE), uma política pública desenvolvida nos 78 municípios do Espírito Santo, alcançando 2.101 escolas da rede pública. A iniciativa é executada de forma integrada por profissionais da Atenção Primária à Saúde e da educação básica, com articulação entre as Secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu).

Entre suas estratégias de atuação, o PSE inclui ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva, com foco na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e do HIV. O tema compõe o conjunto das 14 ações estruturantes do programa e figura entre as cinco prioridades estabelecidas para o ciclo 2025–2026.

Conforme os dados públicos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), o Programa Saúde na Escola (PSE) no Estado do Espírito Santo registrou, em 2025, a realização de 1.226 atividades coletivas com o tema 'Saúde sexual e reprodutiva'. Essas ações educativas envolveram a participação de 76.255 estudantes nas escolas.

A referência técnica do PSE na Secretaria da Saúde (Sesa), Josymara Siqueira Duque, destaca a relevância da abordagem dos direitos sexuais e reprodutivos no ambiente escolar, considerando que as escolas se configuram como espaços privilegiados para o acesso à informação qualificada. “Nesse contexto, tornam-se ambientes estratégicos para o desenvolvimento de ações educativas, com criação de espaços de escuta, acolhimento e respeito. As ações podem contribuir para a desconstrução de tabus, mitos e estigmas historicamente associados à sexualidade, ao mesmo tempo em que possibilita a adolescentes e jovens condições para realizar escolhas mais conscientes e vivenciar sua sexualidade de forma plena, segura e responsável, reduzindo riscos como a infecção por infecções sexualmente transmissíveis (IST), a exposição a situações de violência, coerção e discriminação, bem como a ocorrência de gestações não planejadas, entre outros agravos à saúde e ao bem-estar”, ressaltou Josymara.

Atenção Primária (APS)

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) executam um conjunto estruturado de ações voltadas à promoção, proteção e atenção integral à saúde sexual e reprodutiva, alinhadas às diretrizes do Sistema Único de Saúde. Essas ações contemplam a oferta regular de medicamentos e insumos estratégicos para a prevenção e o tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), incluindo a sífilis, bem como a disponibilização de preservativos e de métodos contraceptivos, assegurando o acesso equitativo da população.

No âmbito da assistência diagnóstica, as UBS realizam exames laboratoriais e testes sorológicos para IST, essenciais para o acompanhamento clínico, a detecção precoce e o monitoramento das condições de saúde. Esse cuidado é integrado ao atendimento médico e de enfermagem, que ocorre de forma individualizada, com orientações qualificadas sobre saúde sexual e reprodutiva, prevenção de agravos e redução dos riscos relacionados à gravidez na adolescência.

Também são desenvolvidas ações educativas e de promoção da saúde, por meio de atividades coletivas direcionadas a adolescentes, jovens, familiares e responsáveis, realizadas tanto no espaço das unidades quanto em escolas e nos territórios. Quando identificadas situações de vulnerabilidade social ou necessidade de acompanhamento ampliado, as equipes de saúde também realizam visitas domiciliares, fortalecendo o vínculo com as famílias e garantindo a continuidade do cuidado

Entre as iniciativas realizadas pelas Unidades Básicas de Saúde destacam-se o acolhimento com captação precoce da gestante adolescente para sua assistência pré-natal, contando para isso com equipe multiprofissional e papel estratégico dos agentes comunitários de saúde e a criação de mecanismos para estimular a adesão ao acompanhamento pré-natal, assim como assegurar uma assistência adequada ao parto e nascimento.

A referência técnica em Saúde da Mulher da atenção primária da Sesa, Christiani Pontara Faé, reforça a importância dessas iniciativas.

“A Atenção Primária à Saúde assume papel estratégico, por ser a principal porta de entrada do SUS, responsável pelo desenvolvimento de ações educativas, acolhimento, aconselhamento e oferta de métodos contraceptivos. A incorporação do implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel (Implanon), novo método contraceptivo de longa duração no SUS, fortalece as ações de planejamento reprodutivo e contribui para a redução desses índices”, disse a referência técnica.

O implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel é um método contraceptivo considerado vantajoso em relação aos já existentes por sua longa duração (age no organismo por até três anos) e alta eficácia. O método foi incorporado pelo Ministério da Saúde para implementação no Sistema Único de Saúde (SUS) a fim de integrar as iniciativas de fortalecimento da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, com foco na redução da gravidez não planejada e na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos. O público elegível serão adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos.

Atualmente, o SUS disponibiliza os seguintes métodos contraceptivos: preservativos externo e interno; DIU de cobre; anticoncepcional oral combinado; pílula oral de progestagênio; injetáveis hormonais mensal e trimestral; laqueadura tubária bilateral e vasectomia. Entre esses, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Dados de partos em crianças e adolescentes nos Hospitais Estaduais

No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, em 2025, foram realizados 242 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos. Em 2026, de 1º a 23 de janeiro, 13 partos foram realizados em crianças e adolescentes na unidade. Já no mesmo período em 2025, foram 7 partos realizados em crianças e adolescentes.

O Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), teve registrados 112 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em 2025. Já em 2026, de 1º a 23 de janeiro, 03 partos foram realizados. No mesmo período em 2025, foram realizados 06 partos em crianças e adolescentes no Himaba.

Dados no Espírito Santo

De acordo com o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) no Espírito Santo em 2020, foram registrados 6.842 partos de nascidos vivos de mães com idade entre 10 e 19 anos em todo o Estado. Já em 2025, foram realizados 4.650 partos de nascidos vivos de meninas com esta mesma idade.

Ano do nascimento 

Total de nascidos vivos

2020

6.842

2021

6.508

2022

5.724

2023

5.568

2024

5.213

2025

4.650

*Em 21/01/2026.

Ações realizadas pelo Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves

O Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, trabalha com o projeto “Jayme Itinerante”, que promove educação e prevenção em saúde junto à comunidade. A iniciativa, administrada pelo Hospital Estadual Dr. Jayme, aborda temas, como queimaduras, drogas, bullying, ISTs, tuberculose.

Nesse período da Semana Nacional de Prevenção a Gravidez na Adolescência, a unidade estará levando conhecimento preventivo sobre o assunto gravidez na adolescência para além do ambiente hospitalar, por meio de seus profissionais.

Informações à Imprensa:

Assessoria de Comunicação da Sesa

Syria Luppi / Luciana Almeida / Clarissa Figueiredo / Danielly Campos / Thaísa Côrtes / Ana Cláudia dos Santos

imprensa@saude.es.gov.br

Fonte: SESA, 29 jan. 2026. Disponível em: https://saude.es.gov.br/Not%C3%ADcia/semana-nacional-de-prevencao-da-gravidez-na-adolescencia-sesa-celebra-continua-baixa-em-incidencia-no-estado. Acesso em: 03 fev. 2026.