Dia Mundial sem Tabaco: tabagismo é fator de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer

28/05/2026 08h00 - Atualizado em 28/05/2026 10h50

Neste domingo (31) é lembrado o Dia Mundial sem Tabaco, uma campanha criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda na década de 1980, para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. Preste a completar quatro décadas, o alerta ainda se faz atual, uma vez que o tabagismo, considerado uma doença crônica causada pela dependência da nicotina, sendo ativo ou por exposição passiva à fumaça, pode estar relacionado ao desenvolvimento de outras enfermidades, como vários tipos de câncer, doenças do aparelho respiratório e doenças cardiovasculares.

De acordo com a médica pneumologista Maria Cristina Paiva, que atua no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica, o tabagismo leva a alterações genéticas, que podem acarretar no desenvolvimento do câncer, sem falar das demais substâncias que as pessoas “colocam para dentro do organismo” em um único trago de cigarro. “O cigarro comum tem em torno de 4,5 mil substâncias, entre elas várias são cancerígenas e que ao se acumular leva ao câncer. Além disso, há substâncias irritativas que podem levar ao desenvolvimento de enfisema pulmonar ou a bronquite crônica, por exemplo”, explicou.

O tabagismo ativo e a exposição passiva à fumaça do tabaco estão relacionados ao desenvolvimento de aproximadamente 50 enfermidades, como enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias, angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses, e câncer de boca, pulmão, de bexiga, pâncreas, entre outros.

A pneumologista contou que em seu ambulatório, os principais atendimentos estão relacionados à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que é uma condição respiratória progressiva e limitante, frequentemente causada pelo tabagismo e inalação de poluentes. “A DPOC é a consequência do cigarro, e temos muitos pacientes assim. Eu falo que se quiserem ver os efeitos do cigarro, basta vir ao nosso Ambulatório. Atendi um paciente uma vez que me contou que queria passear com os netos, mas não conseguia, pois estava fazendo uso de oxigênio. Um paciente lúcido, consciente, com vontade de fazer determinadas coisas, mas que não conseguia por falta de ar”, disse Maria Cristina Paiva.

A profissional ressaltou ainda que os cigarros eletrônicos são tão ou até mais prejudiciais que os convencionais, por isso pais e responsáveis devem estar em alerta, uma vez que esses dispositivos se popularizaram nos últimos anos no público jovem, mesmo havendo a proibição de sua venda no País. “Ele (cigarro eletrônico) vicia muito mais do que o cigarro comum, porque tem muito mais nicotina. O cigarro comum já vicia por causa da nicotina, e o vape muito mais”, alertou.

E nessa data, que marca o Dia Mundial sem Tabaco, a médica Maria Cristina Paiva lembrou que a escolha de parar de fumar sempre valerá a pena. “É importante que as pessoas se conscientizem o mais rápido possível do efeito do cigarro, conscientizar que aquilo vai fazer mal e parar de fumar. E se querem parar, buscar o Programa de Tabagismo para apoio”, completou.

Quais os benefícios de parar de fumar?

Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida. A qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar. Veja o que acontece se você parar de fumar agora:

Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal;
Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue;
Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza;
Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor;
Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros, e o paladar já degusta melhor a comida;
Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil, e a circulação melhora;
Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade;
Após 10 anos, o risco de sofrer infarto é igual ao das pessoas que nunca fumaram.

Programa Estadual de Tabagismo

Quando o cidadão toma a decisão de parar de fumar, por mais desafiador que possa parecer, ele pode e deve contar com apoio, que é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do Programa Estadual de Tabagismo. Para ter acesso, é preciso procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para orientação.

No Estado, o tratamento ao fumante é ofertado atualmente em 51 municípios capixabas, por meio de uma equipe multidisciplinar. O paciente que procura a unidade de saúde municipal participa das sessões em grupo e dependendo do grau de dependência é disponibilizada a medicação, como adesivos, gomas, pastilhas e bupropiona.

Segundo dados do Programa, em 2025, 5.277 pessoas buscaram tratamento pelo SUS no Espírito Santo, sendo 2.734 mulheres e 2.543 homens. Em 2024, 5.123 buscaram pelo tratamento, sendo 2.548 mulheres e 2.575 homens.

‘Maio Vermelho’ aborda a prevenção ao câncer de boca

O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca, doença que tem o mês de maio o período de intensificação de ações para a prevenção e o diagnóstico precoce, no conhecido ‘Maio Vermelho’.

O câncer de boca é um tumor maligno que pode atingir os lábios e diferentes regiões da cavidade oral, como língua, gengivas, bochechas, céu da boca e assoalho da boca, podendo alcançar até mesmo estruturas mais profundas, como garganta, base da língua e amígdalas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o Espírito Santo, há a estimativa de 510 novos casos para o ano de 2026. Em 2025, foram diagnosticados 353 casos, sendo 262 em homens e 91 em mulheres, com predominância em pessoas com mais de 50 anos, especialmente entre 55 e 69 anos que representaram mais de 62% dos casos totais. Em 2024, foram 481 novos casos, sendo 358 em homens e 123 em mulheres, com a faixa etária de 50+ também predominante no diagnóstico, especialmente entre 55 e 69 anos que representaram cerca de 64,5% dos casos totais. Os dados são preliminares e podem sofrer alterações. A fonte é do Painel de Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde.

Além do tabagismo, o consumo de bebidas alcóolicas, a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) e a exposição solar excessiva (especialmente para o câncer de lábio) também são fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca. Já os sinais de alerta estão em feridas na boca que não cicatrizam; manchas esbranquiçadas ou avermelhadas; dos persistente; dificuldade para mastigar ou engolir; e rouquidão persistente.

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Fonte: SESA, 28 maio 2026. Disponível em: https://saude.es.gov.br/Not%C3%ADcia/dia-mundial-sem-tabaco-tabagismo-e-fator-de-risco-para-doencas-cardiovasculares-respiratorias-e-cancer . Acesso em: 28 maio. 2026.